Sonária Ruana

Opa! Sou ex-discente do curso de Letras- Habilitação em Língua Portuguesa,da UERN. E atual discente do curso de Nutrição,na Universidade Potiguar- UNP. Não cheguei a concluir o curso de Letras,tive que desistir para seguir em busca da realização de um sonho antigo,ser uma nutricionista! Saudades da minha turma da UERN... "Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade". Cecília Meireles

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

 Poderíamos dizer que a Lingüística Textual se firmou como uma ciência autônoma, deixando de ser apenas uma subárea da ciência lingüística – se isso realmente aconteceu, a partir de qual referencial?

FIORIN:: Melhor do que falar em Lingüística Textual, que é apenas uma das teorias que estudam o texto, seria falarem Estudos do Discurso e do Texto. Poderíamos dizer que, grosso modo, a Lingüística reparte-se em dois grandes domínios: a) o que poderíamos chamar Estudos de Língua, que examinam dos fonemas à frase; b) o que poderíamos denominar Estudos do Discurso e do Texto, que analisam as unidades transfrásticas, aquelas que se formam com períodos e, portanto, estão acima deles. No entanto, dizer que os Estudos de Língua analisam as unidades que vão do fonema ao período e que os Estudos de Discurso e de Texto examinam as unidadestransfrásticas é dizer qual é o objeto empírico desses dois grandes ramos da ciência da linguagem. No entanto, o que cria um domínio científico não é um objeto empírico, mas um objeto teórico, que é um recorte feito no objeto empírico a partir de um ponto de vista teórico. Como dizia Saussure, o ponto de vista cria o objeto. Nesse sentido, a Lingüística é um conglomerado de objetos teóricos: a língua, a competência, a mudança, a variação, o uso, o discurso, o texto, etc. Apesar disso, a Lingüística define-se como campo disciplinar e institucional por um objeto empírico. Nesse sentido, mesmo que os Estudos do Discurso e do Texto englobem domínios com diferentes objetos teóricos e não se debrucem sobre os mesmos objetos teóricos que os Estudos de Língua não devem ser considerados um campo autônomo, mas devem ser vistos como parte desse campo institucional, que é a Lingüística.

Linguística Discursivas

Os gêneros textuais são os textos que circulam na sociedade e que desempenham diferentes papéis comunicativos.
São tipos relativamente estáveis de enunciados produzidos pelas mais diversas esferas da atividade humana.
 
Os textos são produtos da atividade de linguagem em funcionamento permanente nas formações sociais.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Seminário de Metodologia do Trabalho Científico

CITAÇÕES

Em um trabalho científico devemos ter sempre a preocupação de fazer referências precisas às idéias, frases ou conclusões de outros autores, isto é, citar a fonte (livro, revista e todo tipo de material produzido gráfica ou eletronicamente) de onde são extraídos esses dados.


As citações podem ser:

  • Diretas, quando se referem à transcrição literal de uma parte do texto de um autor, conservando-se a grafia, pontuação, idioma, etc, devem ser registradas no texto entre aspas;
  • Indiretas, quando são redigidas pelo(s) autor(es) do trabalho a partir das idéias e contribuições de outro autor, portanto, consistem na reprodução do conteúdo e/ou idéia do documento original; devem ser indicadas no texto com a expressão: conforme ... (sobrenome do autor).

As citações fundamentam e melhoram a qualidade científica do trabalho, portanto, elas têm a função de oferecer ao leitor condições de comprovar a fonte das quais foram extraídas as idéias, frases ou conclusões, possibilitando-lhe ainda aprofundar o tema/assunto em discussão. Têm ainda como função, acrescentar indicações bibliográficas de reforço ao texto.

As fontes podem ser:

  • Primárias: quando é a obra do próprio autor que é objeto de estudo ou pesquisa;
  • Secundária: quando trata-se da obra de alguém que estuda o pensamento de outro autor ou faz referência a ele.

Conforme a ABNT (NBR 6023), as citações podem ser registradas tanto em notas de rodapé chamadas de Sistema Numérico, como no corpo do texto, chamado de Sistema Alfabético.

Na Universidade Anhembi Morumbi, faremos o registro de citações pelo Sistema Alfabético, que coloca, imediatamente após as aspas finais do trecho citado, os elementos entre parênteses no corpo do texto.

Os elementos são:

  • Sobrenome do autor em letras maiúsculas;
  • Data da publicação do texto citado;
  • Página(s) referenciada(s)



 
CITAÇÕES DIRETAS
Curtas:


As citações curtas, com até 3 linhas, deverão ser apresentadas no texto entre aspas;a referência ao autor poderá estar no texto ou ao final da citação, neste caso, usa-se o sobrenome do autor entre parênteses e em letras maiúsculas.

Exemplo 1:

É neste cenário, que "[...] a AIDS nos mostra a extensão que uma doença pode tomar no espaço público. Ela coloca em evidência de maneira brilhante a articulação do biológico, do político, e do social." (HERZLICH e PIERRET, 1992, p.7).

Exemplo 2:


Segundo Paulo Freire (1994, p. 161), "[...] transformar ciência em conhecimento usado apresenta implicações epistemológicas porque permite meios mais ricos de pensar sobre o conhecimento [...]".

Exemplo 3:


Nóvoa (1992, p.16) se refere à identidade profissional da seguinte forma: "A identidade é um lugar de lutas e conflitos, é um espaço de construção de maneiras de ser e de estar na profissão."

Exemplo 4:


O papel do pesquisador é o de servir como ''veículo inteligente e ativo'' (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.11) entre esse conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a partir da pesquisa.


Longas:

As citações longas, com mais de 3 linhas, deverão ser apresentadas em destaque (normalmente, usa-se o itálico), separadas do texto por um espaço. O trecho transcrito é feito em espaço simples de entrelinhas, fonte tamanho 10, com recuo de 4 cm da margem esquerda. Ao final da transcrição, faz-se a citação.
Exemplo 1:

O objetivo da pesquisa era esclarecer os caminhos e as etapas por meio dos quais essa realidade se construiu. Dentre os diversos aspectos sublinhados pelas autoras, vale ressaltar que:

[...] para compreender o desencadeamento da abundante retórica que fez com que a AIDS se construísse como 'fenômeno social', tem-se freqüentemente atribuído o principal papel à própria natureza dos grupos mais atingidos e aos mecanismos de transmissão. Foi construído então o discurso doravante estereotipado, sobre o sexo, o sangue e a morte [...]. (HERZLICH e PIERRET, 1992, p.30).





 




Exemplo 2:


A escolha do enfoque qualitativo se deu porque concebemos a pesquisa qualitativa na linha exposta por Franco (1986, p.36), como sendo aquela que:
[...] assentada num modelo dialético de análise, procura identificar as múltiplas facetas de um objeto de pesquisa (seja a avaliação de um curso, a organização de uma escola, a repetência, a evasão, a profissionalização na adolescência, etc.) contrapondo os dados obtidos aos parâmetros mais amplos da sociedade abrangente e analisando-os à luz dos fatores sociais, econômicos, psicológicos, pedagógicos, etc. [...].

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Bruxa
1967 - JOSÉ & OUTROS


Nesta cidade do Rio
De dois milhões de habitantes
Estou sozinho no quarto
Estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
Anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
Mas é vida. E sinto a Bruxa
Presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
Desses calados, distantes,
Que lêem verso de Horácio
Mas secretamente influem
Na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
E a essa hora tardia
Como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
Que entrasse nesse minuto,
Recebesse esse carinho
Salvasse do aniquilamento
Um minuto e um carinho loucos
Que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes
Quantas mulheres prováveis
Interrogam-se no espelho
Medindo o tempo perdido
Até que venha a manhã
Trazer leite, jornal, calma.
Porém a essa hora vazia
Como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
Conheço vozes de bichos,
Sei os beijos mais violentos,
Viajei, briguei, aprendi
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras

Mas se tento comunicar-me,
O que há é apenas a noite
E uma espantosa solidão

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
Querendo romper a noite
Não é simplesmente a Bruxa.
É antes a confidência
Exalando-se de um homem.
Caso do Vestido

Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,

se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacasse
de meu marido a vontade.

Eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só pra lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
de colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei... disse que sim.

Sai pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pais sumiu no mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberba
me aparece já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou este vestido,

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

Mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes.
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina,
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela cinturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta da estrada

vosso pai aparecia.
Olhou pra mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: — Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada


Poema extraído do livro "A Rosa do Povo"

Após tomarmos conheçimento do poema, começamos a assistir o filme, na aula de Teoria da Literatura I, pena que o tempo da aula não foi sufuciente para vermos o desfecho do emocionante filme, mas ja deu pra perceber o quanto é marcante!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mesa Redonda

A mesa do dia 19 de Novembro, realizada no auditório do CAMEAM, contou com a ilustre presença da Drª Julie A. Cavignac, o Msc. Flávio Rodrigo F. Ferreira, da FAL, do Mndo. Bruno Goulart Machado Silva, da UFRN, e o coord. Prof. Msc. Luiz E. do N. Neto, da UERN.
Foram debatidos alguns temas, dentre os quais estava a questão de cotas para negros nas universidades, as irmandades, as comunidades quilombolas do seridó,entre outros.
Foi muito longa, muito interessante, ao final houveram vários questionamentos de doscentes e discentes do campus. Logo após houve uma animada feijoada no departamento de letras, no jardim, animada com pagode...Foi bem legal o Colóquio, no geral.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Colóquio sobre gênero e Ensino. Negro: símbolo, imagens e linguagens".

Começou hoje de manhã, mais precisamente as 8:30, o colóquio de geografia e letras.
Com algumas atividades no auditório do CAMEAM, dentre as quais uma mesa redonda que discutiu questões Étnico-Raciais e as políticas de ações afirmativas. Um evento muito importante e muito interessante. Visando o dia da Consciência Negra, próximo 20 de novembro!