Poderíamos dizer que a Lingüística Textual se firmou como uma ciência autônoma, deixando de ser apenas uma subárea da ciência lingüística – se isso realmente aconteceu, a partir de qual referencial?
FIORIN:: Melhor do que falar em Lingüística Textual , que é apenas uma das teorias que estudam o texto, seria falarem Estudos do Discurso e do Texto. Poderíamos dizer que, grosso modo, a Lingüística reparte-se em dois grandes domínios: a) o que poderíamos chamar Estudos de Língua, que examinam dos fonemas à frase; b) o que poderíamos denominar Estudos do Discurso e do Texto, que analisam as unidades transfrásticas, aquelas que se formam com períodos e, portanto, estão acima deles. No entanto, dizer que os Estudos de Língua analisam as unidades que vão do fonema ao período e que os Estudos de Discurso e de Texto examinam as unidadestransfrásticas é dizer qual é o objeto empírico desses dois grandes ramos da ciência da linguagem. No entanto, o que cria um domínio científico não é um objeto empírico, mas um objeto teórico, que é um recorte feito no objeto empírico a partir de um ponto de vista teórico. Como dizia Saussure, o ponto de vista cria o objeto. Nesse sentido, a Lingüística é um conglomerado de objetos teóricos: a língua, a competência, a mudança, a variação, o uso, o discurso, o texto, etc. Apesar disso, a Lingüística define-se como campo disciplinar e institucional por um objeto empírico. Nesse sentido, mesmo que os Estudos do Discurso e do Texto englobem domínios com diferentes objetos teóricos e não se debrucem sobre os mesmos objetos teóricos que os Estudos de Língua não devem ser considerados um campo autônomo, mas devem ser vistos como parte desse campo institucional, que é a Lingüística.
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